Houve um tempo em que a China era governada por um grande imperador. Kublain Khan, neto de Gengis Khan, era o Khan de todos Khans. Tinha três esposas, todas muito risonhas. Kublai Khan governava o império com mão de ferro e matava todos os seus inimigos.
Um dia, chegaram três estrangeiros ao
seu império, todos da mesma família de mercadores: Matteo, Niccòlo e seu filho,
o jovem Marco Polo. Este falava várias línguas e logo se tornou o braço direito
do imperador, visitando todas as vilas e cidades, cobrando impostos e contando
ao Khan o que vira nos extremos de seus domínios.
Passaram-se dezessete anos sem que os
Polo pudessem deixar a China. Um dia, o imperador recebeu um pedido de seu
sobrinho neto, Argun, para enviar a Princesa Azul para se casar com ele na
Pérsia, pois havia ficado viúvo e a falecida esposa pedira que ele se casasse
com uma princesa da mesma família.
Como, na época, havia muitas guerras dentro
do território chinês, a viagem teria de ser feita por mar. E como não havia
ninguém de maior confiança do que Marco Polo, ele, seu pai Niccòlo e o tio
Matteo foram encarregados de levar Kokejin para se casar em Ormuz. Somente
assim eles puderam partir.
Seguiram com uma frota de treze
navios e viajaram por três anos, enfrentando naufrágios, tempestades, piratas,
incêndios e calmarias. Ao chegarem ao seu destino, no entanto, o Khan da Pérsia
havia morrido, mas seu filho, Gazan, casou-se com a Princesa Azul
Kokejin deu-lhes muitos
presentes. Eles voltaram para a Itália carregados de ouro, joias e
pedrarias. Porém, ela não viveu muito tempo. Dois anos depois, ela morreu após um
parto. Mas Marco Polo nunca a esqueceu. Ela era chamada Princesa Azul, pois seu
nome, Kokejin, em chinês, quer dizer “tão linda quanto o céu”.
Antes de morrer, perguntaram a Marco
Polo se tudo o que ele escreveu sobre sua viagem era verdade. Ele respondeu:
"Não lhes contei sequer a metade do que vi".
Essa história aconteceu no final do século XIII e início do século XIV. Marco Polo morreu aos 69 anos e deixou uma esposa, Donata, filha de um mercador de Veneza e três filhas, Fantina, Bellela e Moretta. Ele só ficou conhecido justamente porque escreveu “O Livro das Maravilhas do Mundo”, que passou a ser chamado “Il Milione”, porque tudo nele era mil, mil cavalos, mil pontes, mil homens, mil palácios, mil cidades. Ele escreveu durante os dois anos que passou na prisão no Castelo de São Jorge, em Gênova, que estava em guerra com Veneza. Seu companheiro de cela, Rusticello, era romancista, e começou a anotar as histórias de Marco Polo, tanto que parte do livro é escrito na terceira pessoa e a outra parte na primeira. Colombo inspirou-se neste livro para fazer sua viagem à América, levando-o com ele quando partiu com as caravelas Santa Maria, Pinta e Niña, em busca dos “telhados dourados do palácio de Kublai Khan”. Mas o que ele encontrou por lá é outra história.
